Entrevista com segredos da chef baiana DADÁ, a mestra quituteira de Salvador.
1- O caminho percorrido por Aldacy dos Santos, nascida no sítio do Conde – litoral norte da Bahia, até surgir a Dadá, a mestra quituteira de Salvador, determinou seu sucesso?
Dadá - Sem dúvida, porque foi um caminho guiado por minha mãe, Dona Júlia, com muito amor e coragem. As dificuldades encontradas na luta pela sobrevivência da nossa família foram transformadas por ela, recriadas para o nosso bem-estar e dos amigos. Do baú das minhas lembranças sempre chegam as soluções, os segredos. Com ela aprendi a aproveitar os ingredientes mais comuns em nossa terra, como a farinha de mandioca, o aipim, o milho e o mamão, acrescentando os temperos também baianos. Mas, o maior ensinamento dessa trajetória foi o amor, porque sem esse sentimento nada dá certo, nem na cozinha, nem na vida.
Quando estou criando minhas receitas é como se estivesse renascendo. Eu me sinto realizada quando vejo que minha comida deixa as pessoas felizes!
2 - O Conselho Norueguês da Pesca escolheu Dadá para ser a estrela da campanha de marketing do Nordeste, por ser você o maior ícone da culinária baiana. Essa parceria rendeu o livro “Bacalhau da Noruega faz a festa com segredos da Dadá”, comerciais em tvs e rádios, banners e receitas distribuídas em várias capitais nordestinas. Qual é a receita dessa integração cultural?
Dadá - Essa receita é antiga, é simples. É a mestiçagem, tão comum no Brasil. Nosso povo é mestiço e aberto a novos encontros. Assim, o bacalhau vem dos mares frios da Noruega para a nossa mesa sempre quente, e a união dá certo. O Bacalhau da Noruega, muito admirado
3- Seus segredos culinários transformaram o Bacalhau da Noruega, recriado em 10 receitas especiais para o livro. Algumas delas fazem o produto render, sem perder o sabor?
Dadá – Como aprendi com minha mãe, no tempo da escassez, o bacalhau rende muito quando desfiado e associado a outros produtos. Minha mãe criou a farofa de bacalhau por isso, para aumentar a oferta de pratos saborosos na nossa mesa sem fartura. Como a mandioca, ou macaxeira, é muito apreciada pelo nordestino, e pelo brasileiro em geral, criei receitas de bacalhau com ela: pirão, bobó e farofa. O bacalhau saithe é especial para essas receitas, porque desfia com facilidade.
4- Dadá, é fundamental dessalgar o bacalhau para um bom resultado das receitas? Tem segredo?
Dadá - A maioria das receitas deve ser feita com o bacalhau dessalgado. Quem conhece o produto sabe que sua pele retém o sal, por ser impermeável. Para dessalgar, a pele deve ficar para cima, para facilitar a liberação do sal na água. Uma dica: coloque cubos de gelo na água, a cada troca.
Na receita - Bacalhau da Noruega à moda de Dadá, o bacalhau é assado com pele, exatamente para segurar o sal, tal como era feito por minha mãe. Ela gostava do prato com gosto forte, e o sal fazia os filhos tomarem mais água e comerem mais farinha, o que satisfazia a fome. Esse é o segredo. E fica mesmo uma delícia!
5- E o macarrão, tradição italiana, combina com o Bacalhau da Noruega?
Dadá - Bacalhau não combina somente com batata e azeite. É um produto que pode ser preparado de diversas maneiras. Combina, sim, com macarrão. A receita dessa massa é uma só: todos os tipos são cozidos em água, sal e um fio de óleo. A diferença nasce com o molho. E o molho deve ser forte, bem condimentado. Com lascas de bacalhau, molho especial e o macarrão, surge o casamento perfeito. E ninguém resiste, porque vai atrair pelos olhos, pela boca e também pelo nariz. O prato perfeito é assim: tem gosto, cor e cheiro. Experimente as receitas, os segredos, e bom apetite!
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